MEMÓRIAS... ver aqui
Quantas saudades da minha casinha antiga
naquela ruazinha escura, mais antiga ainda,
onde as lamparinas tremeluziam em cada esquina
e os arvoredos assombravam com o clarão da lua.
E me parecia então, que todos os fantasmas
se encontravam ali, num cantinho escuro,
atrás da sebe, atrás da cerca, atrás da casa,
esperando um momento para se manifestar.
Mas eu não tinha medo senhores
daqueles seres que nada de mal faziam,
a não ser assustar os viajantes retardatários
que se atreviam a passar por aquela ruazinha.
Mas às vezes, quando eu me retardava
na casa de algum vizinho mais adiante,
e voltava assustada para casa...
Além dos meus passos apressados, saltitantes,
e do meu coração que batia feito louco,
eu sentia que todos os fantasmas me espreitavam.
E quando chegava em frente ao meu portão
este ia se abrindo vagarosamente,
sem que ao menos nele eu tocasse.
E ao erguer os olhos para a minha porta,
esta também ia se abrindo lentamente,
como que tocada por mãos imaginárias.
Depois, segura no aconchego do meu quarto
eu dizia para mim e meus botões:
"--Fui eu mesma quem abriu a minha porta,
--Fui eu mesma quem abriu o meu portão!"
Sonia Regina
- sonia regina... ver aqui
toda a saliva foi gasta para chamar o cão.
sem mais martírio o movimento se deu
no volume do tempo
a ousadia espalhou a poeira, descobriu
onde estavam armazenados os sorrisos,
uivos não aprisionados deslocaram a quietude
as fragilidades não fracassaram, criaram
desfechos nas noites agrestes
e eu já não tusso
com um hálito além do lamento, te amo
como uma folha seca que se deixa tocar
pelo fogo com um desejo que perdura
é extraordinário pisar sonhos
torná-los chão
não excluir o mundo
em um caminho doce que se agiganta
sem pretensão de grandeza nos acenos.
sonia regina
toda a saliva foi gasta para chamar o cão.
sem mais martírio o movimento se deu
no volume do tempo
a ousadia espalhou a poeira, descobriu
onde estavam armazenados os sorrisos,
uivos não aprisionados deslocaram a quietude
as fragilidades não fracassaram, criaram
desfechos nas noites agrestes
e eu já não tusso
com um hálito além do lamento, te amo
como uma folha seca que se deixa tocar
pelo fogo com um desejo que perdura
é extraordinário pisar sonhos
torná-los chão
não excluir o mundo
em um caminho doce que se agiganta
sem pretensão de grandeza nos acenos.
sonia regina
Fernando Sabido Sánchez
Pintura de DANIEL ÁNGEL PAZ RIOS de Venezuela
DIME... ver aqui
He regresado a nuestra ciudad desierta
a las calles despobladas
en las que sólo sobreviven
el silencio y los insectos
dime
para qué gritar si no puedes ya oírme
Recuerdo aquellos tiempos
la gente en sus asuntos
malgastando las horas
y fingiendo que viven
dime
para qué llorar si todo es inútil
Ésta noche te imagino
reflejada en la luna de entonces
herida de sueños
dime
para qué sufrir si no puedo tenerte
Sólo queda un suburbio de sal
con viviendas teñidas de nácar
por las olas de un mar que no existe
dime
si ya no me amas
para qué sigue en alerta la muerte
Fernando Sabido Sánchez
Ese tabaco visitando tu boca - Felipe Sérvulo
Felipe Sérvulo... ver aqui

DE NUEVO este desconsuelo
y esa urgencia por tenerte.
De nuevo ese tabaco visitando tu boca
y dos gotitas de tu perfume favorito.
De nuevo ese lamento inútil
y ese umbral que ya no paso.
Dime cuando me mandarás
el inventario de tantos silencios.
Cuando me mandarás la naftalina,
el encaje del tomillo
y el cofre pequeño
donde hemos guardado
tantas palabras.

DE NUEVO este desconsuelo
y esa urgencia por tenerte.
De nuevo ese tabaco visitando tu boca
y dos gotitas de tu perfume favorito.
De nuevo ese lamento inútil
y ese umbral que ya no paso.
Dime cuando me mandarás
el inventario de tantos silencios.
Cuando me mandarás la naftalina,
el encaje del tomillo
y el cofre pequeño
donde hemos guardado
tantas palabras.
Delfim Peixoto
Quero não ser tempo... ver aqui
Eu quero ser cego, surdo, mudo,
Racional, temporal, insensível,
Não quero ter tacto, mãos, tudo,
Não quero ser tradutível
Quero ser vento, transparente,
Água, pensamento, incolor
Quero ser gelo, frio, corrente,
Quero ser águia, falcão, condor
Não quero sentir o cheiro
Quero ser castrado na emoção
Não quero ser guerreiro,
Nem ter uma nação
Quero ser somente pó
Não quero ter nas veias o sangue
Nem no coração o fogo que ateias
Quero somente o tempo
E matá-lo lentamente
Para que sinta docemente
O valor da pausa, de um contratempo
E renasça devagar, sem correr,
E me deixe sem ele viver
Delfim Peixoto
Eu quero ser cego, surdo, mudo,
Racional, temporal, insensível,
Não quero ter tacto, mãos, tudo,
Não quero ser tradutível
Quero ser vento, transparente,
Água, pensamento, incolor
Quero ser gelo, frio, corrente,
Quero ser águia, falcão, condor
Não quero sentir o cheiro
Quero ser castrado na emoção
Não quero ser guerreiro,
Nem ter uma nação
Quero ser somente pó
Não quero ter nas veias o sangue
Nem no coração o fogo que ateias
Quero somente o tempo
E matá-lo lentamente
Para que sinta docemente
O valor da pausa, de um contratempo
E renasça devagar, sem correr,
E me deixe sem ele viver
Delfim Peixoto
Sergio Gonçalves dos Santos
o fogo sagrado ( ver aqui...)
beija-flor possue o sagrado
do fogo apagando tua frieza,
ó vida insana, amor cansado
quanta ternura, não esqueça
que tu me torturas queimado
pelas chamas do amor, teima
o abismo em me sugar, pasmo
me afogo ao beber a clareira
das tuas chamas, meu vício
de sempre em ti me entregar
brazas de princesa, precipício
que vivo sempre a me atirar
sem salvacão, ó meu martírio,
que delírio é poder te amar !
Sergio, beija-flor-poeta
beija-flor possue o sagrado
do fogo apagando tua frieza,
ó vida insana, amor cansado
quanta ternura, não esqueça
que tu me torturas queimado
pelas chamas do amor, teima
o abismo em me sugar, pasmo
me afogo ao beber a clareira
das tuas chamas, meu vício
de sempre em ti me entregar
brazas de princesa, precipício
que vivo sempre a me atirar
sem salvacão, ó meu martírio,
que delírio é poder te amar !
Sergio, beija-flor-poeta
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